Fundamentos e Abordagens
Na primeira metade do século XX, a Terapia Comportamental emergiu como uma abordagem científica, utilizando experimentos rigorosos semelhantes aos da medicina e engenharia. Essa abordagem focou em processos comportamentais básicos, marcando uma mudança significativa em relação à psicologia da época, que valorizava a subjetividade. A compreensão do comportamento, humano e animal, foi fortemente relacionada ao conceito de reflexo, como demonstrado por Pavlov. Posteriormente, os estudos de Mary Cover Jones sobre a redução do medo em crianças, por meio da exposição gradual, foram fundamentais para a dessensibilização sistemática, técnica que a consolidou como “mãe da terapia comportamental”.
Nas décadas de 1950 e 1960, a pesquisa sobre condicionamento operante, liderada por Skinner e Lindsley, ampliou a compreensão de como as consequências do comportamento afetavam sua ocorrência, estabelecendo bases para a modificação do comportamento em contextos clínicos. Já nas décadas de 1940 e 1950, os terapeutas comportamentais focaram no condicionamento respondente, influenciados por Pavlov, Watson e Jones. Eles buscavam mudar as associações entre estímulos e respostas, especialmente para tratar ansiedade e problemas emocionais, usando técnicas como a dessensibilização sistemática.
Com o advento da década de 1960, a influência do condicionamento operante de Skinner começou a ser notada, com tentativas de aplicar reforço e extinção para alterar comportamentos em populações clínicas. Esse período marcou o início da Análise do Comportamento Aplicada, concentrando-se nas relações entre comportamento e ambiente para promover mudanças eficazes. Assim, as intervenções evoluíram do condicionamento respondente para o condicionamento operante, preparando o terreno para a Análise do Comportamento Aplicada.
As décadas de 1970 e 1980 viram uma grande expansão das terapias comportamentais, com muitos livros publicados, novos periódicos e associações profissionais formadas, mas o campo se tornou muito fragmentado devido à mistura de teoria e técnicas. Nesse contexto, os princípios da análise do comportamento e sua filosofia selecionista foram quase totalmente abandonados na prática clínica, mesmo com o aumento das evidências de eficácia nas pesquisas. A pouca atenção dos analistas do comportamento às queixas de indivíduos verbalmente competentes e a eficácia comprovada da terapia cognitiva comportamental em ensaios clínicos randomizados contribuíram para isso.
Em 1990, analistas do comportamento nos Estados Unidos começaram a desenvolver um modelo de psicoterapia focado estritamente nos princípios da análise do comportamento, que se diferenciava das abordagens ecléticas da terapia comportamental, em suas fases iniciais, resultando na Análise do Comportamento Clínica (CBA). A CBA é um ramo da análise do comportamento aplicada que se distingue pelos perfis dos clientes, problemas clínicos, procedimentos e ambientes de intervenção. No entanto, alguns autores notam que a CBA não é uma única terapia, mas abrange várias modalidades terapêuticas, chamadas de terapias comportamentais de terceira onda, como a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), a Terapia Comportamental Dialética (DBT), a Ativação Comportamental (BA), a Terapia Comportamental Integrativa de Casais (IBCT) e a Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em Mindfulness (MBCT). Apesar de a CBA sugerir um retorno às características fundamentais da análise do comportamento na psicoterapia, levou à criação de várias abordagens clínicas, refletindo a diversificação e o ecletismo na evolução da terapia comportamental.
O principal motivo para a criação do termo “Terapia Analítico-Comportamental” (TAC) por Tourinho e Cavalcante em 2001 foi a necessidade de deixar claro, já no nome, as bases que fundamentam a prática clínica dos analistas do comportamento no Brasil. Historicamente, foram usados diferentes termos, como “psicoterapia comportamental”, mas, nos anos 1990 e 2000, muitos analistas passaram a questionar se esses nomes representavam adequadamente a complexidade de seu trabalho. Esses termos estavam muitas vezes ligados apenas às técnicas de condicionamento respondente e criavam confusão com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que tem bases teóricas diferentes. Assim, Tourinho e Cavalcante sugeriram “Terapia Analítico-Comportamental” para destacar essa abordagem, associando-a à Análise do Comportamento (o “analítico”) e à sua aplicação clínica (o “comportamental”).
Na aula do dia 03.05.25, aprendi sobre o início das terapias comportamentais, que se desenvolveram principalmente nas décadas de 1950 e 1960, com contribuições de B.F. Skinner. Uma parte importante foi entender como a psicanálise freudiana influenciou negócios e política, manipulando desejos e comportamentos, como mostrado no documentário “O século do ego: há um policial dentro de nossas cabeças”. Também ficou evidente que, a partir de meados do século, surgiram experimentos comportamentais que questionaram as práticas psicológicas existentes. Além disso, abordei o surgimento da Terapia Analítico-Comportamental (TAC), que usa abordagens mais recentes. Ao contrário de outras terapias, a TAC não se limita a aplicar técnicas, mas busca entender a função dos comportamentos e promover mudanças profundas através da relação terapêutica.
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